Água de municípios não possui agrotóxico acima do limite, diz estudo

Na legislação brasileira, agentes estão sob controle (Foto: Michela Brígida/Folha de Alphaville)

Apesar de constatada a presença de 27 tipos de agrotóxicos na água tratada consumida em Barueri e Santana de Parnaíba, nenhum deles está acima do limite considerável nocivo à saúde, conforme o parâmetro brasileiro de regulação. Em critérios de fiscalização da União Europeia, 15 agentes químicos ultrapassariam o limite.

Os dados são do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), do Ministério da Saúde, e foram compilados pelo portal Repórter Brasil, pela Agência Pública de Jornalismo Investigativo e pela organização suíça Public Eye, referentes aos anos de 2014 e 2017.

Por meio desta plataforma, são investigadas continuamente a presença de 27 agentes químicos nocivos à saúde humana, além da condição da água das cidades de todo o país. Entre 1.396 municípios brasileiros investigados, foi constatada a presença de todos os 27 tipos de agrotóxicos, assim como nas cidades da região.

De acordo com a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), 16 desses produtos são considerados tóxicos e 11 estão associados a doenças crônicas, como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

Apesar de preocupante, a situação não deve causar alarde, segundo o professor de Meio Ambiente e Química da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rogério Aparecido Machado. "Mesmo com o grande aumento que houve nos últimos anos, a concentração de agrotóxicos na água ainda é baixa. Obviamente, a exposição a longo prazo pode trazer alguns males, mas é uma probabilidade ínfima, que não deve ser levada a extremos", disse.

Substâncias permanentes
Ainda de acordo com o especialista, o grande problema que envolve o uso dos agrotóxicos é o fato desses produtos serem substâncias persistentes no meio ambiente, demorando centenas de anos para se desintegrarem. "Nossos sistemas de tratamento de água não conseguem fazer a retirada desses agentes, que requer um sistema de alta tecnologia e mais caro. Isso é um problema mundial, que está sendo amplamente discutido", explica Rogério. 

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Quinta, 19 Setembro 2019

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