Sexta, 29 Agosto 2025

Saúde

A cada hora, 14 crianças são internadas no Brasil por acidentes, aponta estudo

Saúde

A cada hora, 14 crianças são internadas no Brasil por acidentes, aponta estudo

São mais de 330 hospitalizações por dia

(Divulgação Aldeias Infantis SOS)
Um levantamento da Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, revela que, em 2024, 121.933 crianças e adolescentes, entre a faixa etária de 0 a 14 anos, foram internadas no Brasil vítimas de acidentes. O número representa uma média de 334 hospitalizações por dia, cerca de 14 por hora.

Elaborado com dados do DataSUS, o estudo desenvolvido pelo Instituto Bem Cuidar, programa de gestão de conhecimento da Aldeias Infantis SOS, também mostra que as quedas seguiram, em 2024, como a principal causa registrada de lesões não intencionais no Brasil, respondendo por 44% dos casos, ou 54.056 internações – em 2023, elas concentraram 45% do total de ocorrências.

Logo em seguida, estão queimaduras (19% ou 23.412 casos) e sinistros de trânsito (10% ou 12.196 ocorrências). Outras causas de internação envolvem intoxicações (3%), afogamentos (0,21%), sufocações (0,48%) e acidentes com armas de fogo (0,07%).

Alta no número de internações
Em relação a 2023, o total de internações de crianças e adolescentes aumentou 2,2%, com destaque para as altas nos casos de afogamento (+11,8%), sufocação (+11,2%) e sinistros de trânsito (+7,8%).

A pesquisa ainda aponta que a faixa etária mais atingida é a de 10 a 14 anos, com 36% das internações, seguida por crianças de 5 a 9 anos (35%) e de 1 a 4 anos (23%). Bebês com menos de 1 ano representam 5% dos registros. 

De acordo com Erika Tonelli, especialista em Entornos Seguros e Protetores da Aldeias Infantis SOS, a concentração dos casos no intervalo de 5 a 14 anos (71%) pode ser explicada por conta da maior autonomia dessas crianças e adolescentes, que circulam mais livremente pelos ambientes e, por isso mesmo, estão mais expostos.

"Os dados mostram que a prevenção precisa ser intensificada em todos os locais frequentados por crianças e adolescentes, com a preparação adequada dos ambientes, especialmente dentro de casa, onde ocorrem a maior parte das quedas e queimaduras. É fundamental que pais, responsáveis e cuidadores estejam atentos a medidas simples de prevenção, mas eficazes, que podem evitar internações e sequelas para uma vida toda", afirma.

Óbitos por acidentes
O estudo da Aldeias Infantis SOS também informa que, em 2023, 3.398 crianças e adolescentes entre 0 e 14 anos morreram em decorrência de acidentes, um aumento de 5% em relação ao ano anterior, quando foram computados 3.237 óbitos. Isso significa que, em média, cerca de 9 crianças perdem a vida todos os dias no país em razão de acidentes que poderiam ser evitados em 90% dos casos, segundo estimativas da Organização.

As principais causas de morte foram sufocação (30%), sinistros de trânsito (26%) e afogamento (26%). Cresceram ainda as mortes por armas de fogo (+20%), sinistros de trânsito (+8%), afogamentos (+8%), quedas (+6%) e sufocações (+3%). No período, caíram apenas as mortes decorrentes de intoxicações (-3%) e queimaduras (-1%). 

A especialista da Aldeias Infantis SOS alerta para dois pontos preocupantes. O primeiro é o avanço constante das mortes por sufocação desde 2021, que também cresce nas internações. "São muito comuns casos de sufocamento por conta da introdução alimentar feita de forma inadequada quando as crianças estão agitadas, brincando e correndo, ou mesmo quando os pais servem o alimento dentro do carro em movimento", explica Erika Tonelli.

O segundo ponto identificado pela Organização é a elevação dos casos fatais na faixa de 10 a 14 anos, possivelmente relacionados à circulação em espaços públicos sem supervisão de adultos. Além disso, segundo a especialista, é comum que jovens nessa faixa etária cuidem de crianças menores, estando mais vulneráveis a lesões não intencionais fatais.

"Estamos falando de perdas que poderiam ser evitadas com ações de prevenção, informação e preparo da população. Campanhas informativas de primeiros socorros, treinamento para pais e cuidadores e ambientes mais seguros são medidas urgentes para proteger a vida das nossas crianças e adolescentes, que exigem ação do Poder Público e mobilização de toda a sociedade civil", conclui a Erika Tonelli.
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