Quarta, 08 Dezembro 2021

Turismo

Moradora de Alphaville visita Egito e faz relato sobre a viagem

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Moradora de Alphaville visita Egito e faz relato sobre a viagem

Jornalista Meiri Borges narra sua viagem ao país dos Faraós e conta como foi sair do Brasil depois da pandemia 

Complexo de Gizé. (Foto: Arquivo Pessoal)
Eu sei que eu sou corajosa, mas o Egito mostrou que eu tenho algo além da coragem. Faz uma semana que voltei de lá, mas o Egito ainda tá muito vivo dentro de mim. De férias do trabalho, depois de um período longo sem poder viajar por causa da pandemia, decidi escolher o destino que faz parte dos meus sonhos e da minha lista de coisas para fazer em vida: o Egito! Não é sempre que alguém topa fazer uma viagem para um destino com uma cultura tão diferente da nossa, então, fui sozinha. "Mas, sozinha mesmo, Meiri?" So-zi-nha!
E lá, vivi emoções extremas como o medo e a alegria.

A religião no Egito controla muitos aspectos da vida social. Política, cultura e religião parecem ser uma coisa só. As mulheres precisam estar sempre cobertas em público, não é permitido a venda e o consumo de bebidas alcoólicas. Com pena de morte, o país registra índice quase zero de criminalidade. Os jovens só podem namorar depois do casamento. Com predominância islâmica, o país vive em harmonia com cristãos e judeus.

Antes de sair do Brasil, é necessário apresentar o teste de Covid. Com o resultado negativo, meu embarque foi autorizado. Chegando em solo africano, ainda na imigração do aeroporto do Cairo, paguei 65 dólares para fazer um outro PCR, com o teste negativo, e pagando mais 25 dólares, recebi o visto para entrar no Egito.

No Egito, não vi nenhum protocolo para a doença. As pessoas não usam máscaras, não existe álcool em gel nos estabelecimentos, distanciamento social e ninguém exige comprovante de vacinação para entrar nos lugares. Com exceção de uma turista que, dentro de uma loja, e muito brava, reclamou com as pessoas que não estavam utilizando a proteção. Os muçulmanos acreditam muito que Alá já traçou o destino de todos, e não há vacinação ou protocolo que mude a "hora de ir embora". De acordo com o site do Governo egípcio, o país computou 20.052 vítimas do coronavírus. Com essa crença, e o com o baixo número de mortos no país, o Governo segue vacinando a população, mas não observei uma preocupação grande quanto à questão.


Onde Jesus se escondeu
Foi no Cairo que aterrissei depois de quase um dia inteiro viajando. Na capital, conheci o local onde Jesus, José e Maria se abrigaram quando Herodes, em Belém, mandou matar todos os meninos de até 2 anos de idade, na tentativa de acabar com a vida de Jesus, anunciado como o filho de Deus.

Hoje, no local onde a Sagrada Família permaneceu por 4 meses, fica a igreja de São Sérgio, uma gruta que preserva ainda a fonte onde Jesus e seus pais bebiam água. Emocionante e inexplicável a emoção de estar onde Jesus esteve.

A grande pirâmide de Gizé
No segundo dia no Cairo, fui conhecer as Pirâmides do Egito. Existem mais de 123 pirâmides, mas três são as mais conhecidas. Entre os monumentos, está a Grande Pirâmide de Gizé, considerada uma das 7 maravilhas do mundo antigo que ainda existem. E são na verdade túmulos construídos para abrigar os faraós, reis do Egito que eram considerados deuses.

Estar diante das pirâmides me fez refletir sobre a força e a capacidade do ser humano de realizar grandes feitos desde sempre. Naquela época, sem as ferramentas e tecnologia que temos hoje, como esse povo conseguiu realizar grandes feitos? Essa pergunta ecoa no meu consciente até agora. Não atoa muitas pessoas acreditam que as pirâmides foram, na verdade, construídas por outros seres, no caso extraterrestre. Mito ou verdade, de fato, uma força muito suprema foi utilizada para a construção das pirâmides. Cada pedra daquela pesa 2 toneladas. E são várias delas em perfeito alinhamento. Impressionante e com uma energia surreal!
No povoado Nubian, em Aswan. (Foto: Arquivo Pessoal)

O dia que senti muito medo
Do Cairo, fui de avião para a capital dos faraós no auge do seu poder. E foi no aeroporto de Luxor que senti o maior medo de toda a viagem. Cheguei à noite, a cidade é calma e silenciosa, diferente da loucura da Cairo barulhenta. O guia me aguardava, afinal, em Luxor não tem taxi comum e aplicativo de transporte não funciona lá. Precisava de alguém para me levar ao hotel. Ao sair do aeroporto para pegar o carro, passei por um corredor de muito homens vestidos com batas e turbantes na cabeça. Preconceito meu, a sensação era de estar em meio a muitos "homens bombas", como a gente vê na televisão. Perdão, Egito. Que preconceito meu! O Galabi, são roupas tradicionais para os muçulmanos, assim como a burca para as mulheres. E, dependendo da cor, podem sinalizar se o homem é rico, podre, se tá feliz ou triste e ajudam a enfrentar os dias quentes e as noites frias do deserto.

Luxor foi meu destino favorito no Egito. Margeada pelo rio Nilo, de um lado muito verde, abundância de plantações e do outro lado, o deserto do Sahara. A temperatura nessa época do ano estava agradável, não peguei o calor nem o frio extremo. Isso mesmo, no Egito a temperatura no inverno cai bastante e o clima fica muito parecido com o de São Paulo no inverno.

Realizei mais um sonho: assistir ao nascer do sol num voo de balão pelo Vale dos Reis. Parecia um sonho. Foi mágico.

Já em solo, fui desbravar a região. Verdadeiras cidades foram descobertas graças ao incrível trabalho de escavação realizado por egiptólogos, geólogos e historiadores. Tudo é incrível, tanto os templos, as tumbas e os tesouros, quanto o trabalho de escavação nas montanhas que preserva as descobertas da forma como foram construídas, há mais de 4 mil anos.

Faz parte da magia do Egito estar em lugares mencionados na Bíblia e nos livros de história. Eu uma felucca, naveguei pelo rio Nilo.

Em Luxor, escolhi um hotel no meio do povoado, longe da área turística. Foi uma experiência única conhecer de perto a cultura e os costumes das famílias egípcias. O hotel fica bem perto do deserto do Sahara e, por duas vezes, na garupa de uma motocicleta de um nativo, assisti ao pôr-do-sol.

Experiência África
De Luxor, peguei um trem para Aswan, cidade ao sul do país que faz fronteira com o Sudão. Mulher e sozinha preferi pagar o correspondente a R$ 45 para viajar no vagão de primeira classe. Depois de 3 horas viajando as margens do rio Nilo, cheguei à cidade que significa "mercado". E Minha experiência com os comerciantes de lá foi um tanto quanto cansativa. Em todo o Egito é muito difícil encontrar preço nas mercadorias. E para comprar algo é necessário barganhar. Você escolhe o produto, pergunta o preço, e eles decidem na hora quanto vale. Geralmente colocam um valor bem alto para, depois de negociar, chegar ao valor real do produto. Eu fui já sabendo desse costume, é comum, mas só estando lá para entender como funciona. Em Aswan, fiquei cansada de barganhar. Conheci a Vila Nubia, um pequeno povoado que vive da produção e venda do artesanato local. É tudo lindo e muito colorido. Tive a real sensação de estar na África. As características físicas são diferentes dos povos mais ao norte do país. A pele é bem escura e tanto os traços quanto as vestimentas são de típicos africanos. Trouxe na mala artesanatos produzidos por eles e foram as aquisições mais disputadas pelos amigos e familiares aqui no Brasil.

Em Aswan, fica o Templo Philae, dedicado à deusa Ísis, a deusa do amor. Estando lá, não perdi a oportunidade de conhecer esse que é considerado o templo mais feminino de todo o Egito. Dizem que visitar o local atrai sorte para o amor. No meu caso, amor nunca é demais.

O dia que a polícia mandou eu correr
De volta ao Cairo, quase me despedindo da terra dos faraós e dos deuses do mundo antigo, revivi a sensação de estar em uma cidade bombardeada. Não é exagero. Antes de sair do Brasil, peguei um hotel no centro do Caíro, um hotel modesto pelas fotos, já que o objetivo da viagem não era descansar e sim explorar o país. Mas essa foi a primeira experiencia que fez eu sentir muito medo. A cidade parece que foi bombardeada, os prédios estão se deteriorando, as fachadas estragadas, aí junta com a poeira do deserto e com a poluição, e o aspecto fica como o de uma cidade que passou por uma guerra. Mas o Governo está restaurando a região central da cidade e construindo novas casas para a população mais pobre. O trânsito também é um aspecto singular. Não tem uma regra, parece não ter lei, mas por incrível que pareça, o índice de acidente é menor que o de São Paulo. Ao som de constantes buzinas, as pessoas atravessam em meios aos carros, ninguém para na faixa, muito menos para o pedestre passar. É um desafio e tanto passar para o outro lado da rua.

Mas quero falar sobre as mulheres do Egito. Por onde passei recebi o carinho delas. Mulheres e crianças me paravam nas ruas pedindo para tirar fotos comigo, conversar, tocar em meu cabelo. No primeiro momento eu não entendi o motivo, mas depois o guia me explicou que elas acham as mulheres de fora como joias, como algo precioso. Meu Deus! No dia que fui ao Khan El Kalili, o maior mercado do Cairo, a polícia teve que intervir. Uma aglomeração se formou de homens, mulheres e crianças para tirar foto comigo, atrapalhando a passagem e a entrada das lojas. A polícia egípcia chegou gritando mandando eu sair correndo dali. Na verdade, eu entendi que era isso pelo semblante bravo dos policiais, mas falando em árabe eu não compreendi nenhuma palavra, mas obedeci a ordem.

O idioma é o árabe, mas consegui me comunicar em inglês e espanhol na maior parte do tempo, quando não era possível, usava a aplicativo de tradução para falar o que eu queria em árabe.

Deixei nos destaques do meu Instagram @meiriborges meus relatos e algumas curiosidades de tudo que vivi por lá. O que mostrei não é nem 10%, mas dá para vivenciar comigo um pouco do Egito. A viagem que me ajudou a descobrir características minhas que não sabia que possuía e que resgatou aspectos da minha personalidade que estavam escondidos. Voltei mais forte e com uma visão mais ampla sobre o início da civilização humana, da filosofia que fez nossos antepassados seres fortes e únicos. Tudo isso nos ajuda a entender o comportamento da sociedade atual. Foi sem dúvida uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida.

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