PG: Patrimônio humano de Alphaville

Descobriu Alphaville com a esposa Dina em 1975, por intermédio do irmão, e ficou encantado (Foto: Michela Brígida/Folha de Alphaville)

Como conheceu o bairro?
Conheci o Alphaville em 1975, por intermédio de meu irmão Sócrates. Então, Sócrates, meu irmão Rômulo, já falecido, e eu viemos conhecer o bairro que ainda estava sendo implantado. Ficamos encantados! No ano seguinte, conseguimos comprar o primeiro terreno industrial, na Alameda Amazonas. Conhecemos Yojiro Takaoka, com quem tínhamos ótimas conversas sobre urbanismo, arquitetura, conjuntura econômica e especialmente acerca do que ele acreditava: a valorização do bairro.

Como e quando ocorreu a sua chegada a Alphaville?
Em 1978, o Rômulo comprou uma casa no Alphaville 1 e eu, no Residencial 2. Mudamos quando nossas casas ficaram prontas. O Rômulo foi o morador 36 do Residencial 1 e acho que fui o 27 do Alphaville 2.

E sua família gostou da ideia de morar aqui?
Minha família adorou! A Dina, minha mulher, ficou muito entusiasmada, porque ela adora trazer coisas para a casa, decorar, e dar um toque pessoal em todos os ambientes que vivemos.

Quais são suas memórias desta época?
Nossas memórias são as mais ternas. Porque assim que chegamos, logo conhecemos muita gente de quem somos amigos até hoje, seja dos chefes das famílias — muitos já faleceram, infelizmente — seja de seus filhos. Muito bacana foi trazermos boa parte da família. Outros irmãos, os primos, os primos dos primos... Nossos filhos e sobrinhos se casaram e aqui também compraram ou construíram suas casas. Numa determinada época, éramos a maior família de Alphaville... Deixamos a Zona Sul — Aeroporto, Campo Belo e Moema — e viemos todos para Alphaville. A Veja São Paulo fez uma reportagem muito interessante sobre isso. Talvez ainda sejamos a maior família... Netos e sobrinhos-netos também se casaram e ficaram por aqui. Precisávamos fazer um levantamento para conferir.

A comunidade era mais unida?
A comunidade era muito mais unida. Creio que os moradores bem antigos, como minha família e eu, ainda somos unidos. Pelo menos as famílias ainda se dão e se frequentam, quando é possível.

O comércio era raro neste período?
Quando me mudei, só havia o posto de gasolina da avenida Rio Negro. Era no posto que comprávamos pão, leite, café e manteiga. Acredite! (risos). Se precisássemos de uma pizza, tinha de ser assada em casa! Houve também um mercadinho na avenida Araguaia que entregada gêneros de primeira necessidade em casa. Muitos moradores faziam compra em mutirão na Ceagesp. Esse mutirão já era um evento semanal... Havia uma padaria na avenida Araguaia, que já fechou, Só depois veio a La Ville, para tudo, inclusive para a pizza. Depois vieram os shoppings, os supermercados e os hipermercados.

Você trabalhava em São Paulo, se sim, como fazia para se locomover?
Quando me mudei, o escritório central de nossa empresa era em Santo Amaro. Meus filhos continuaram estudando no Brooklin. Eu ia todos os dias de carro pela Marginal. Demorava 35 minutos para eu chegar na porta da loja central, na rua Desembargador Bandeira de Melo, em Santo Amaro, passando no Brooklin para deixar a turma na escola.

E você continuou muito tempo nessa rotina?
Não! Já em meados dos anos 1980 trouxemos nossos negócios todos para cá. Também na década de 80 fundamos o Rotary Club Barueri Alphaville e isso foi muito bom para fortalecer nossos laços de comunidade. Hoje integro o Rotary Santana de Parnaíba Centro Histórico. Acho que para equilibrar um pouco a presença nas duas cidades (risos). Na verdade, para fazer companhia aos meus familiares, que estão naquele clube.

De lá pra cá, qual a mudança no bairro que mais lhe incomoda?
Duas coisas me incomodam. O trânsito, pois o bairro precisa ser reestruturado sob o ponto de vista de urbanização para comportar tanta gente e agilizar a mobilidade urbana. E a segunda é a ocorrência desses pequenos crimes, roubos e assaltos nas áreas externas aos residenciais.

O que existe que ainda lhe agrada, mesmo após tanto tempo?
Também duas coisas. A primeira é continuarmos a pertencer às cidades de Barueri e Santana de Parnaíba. Minha família e eu lutamos muito contra um movimento de emancipação que existiu na década de 90. O bairro de Alphaville é um modelo de desenvolvimento sustentável de antigas cidades-dormitório. E é um modelo de inclusão social e de geração de empregos. A segunda coisa é podermos continuar a convivência com velhos amigos, pessoas boas, confiáveis. Claro que a gente pode ter divergências, mas dentro de um espírito de tolerância e respeito — virtudes que estão tão em falta no mundo! Gosto muito mesmo de poder conviver com os amigos de tantos anos!

O que desejaria ver no seu bairro que ainda não existe?
Gostaria de ver um tipo de transporte moderno, de energia limpa e renovável, que facilitasse a circulação interna. Nós precisamos sempre nos renovar!

Por Maria Fernanda Guimarães |
Jornalista, moradora em Alphaville, mãe de 4 filhas,
avó de 2 netos, rotariana e... sobrinha e afilhada do PG 

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Quinta, 17 Outubro 2019

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