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Sistema do Detran atrasa emissão de CNH nas cidades da região

Atualizado: 22/07/2010 21:20

Santana de Parnaíba recebeu projeto piloto que até o momento funciona

André Bittencourt

Proprietários de autoescolas de Barueri e de Santana de Parnaíba e candidatos à obtenção de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) são unânimes ao criticar o novo sistema on-line batizado de “e-CNHsp”. Ele foi criado para evitar fraudes, mas até o momento, só tem gerado atrasos nas emissões do documento e no registro de aulas, com prejuízo para os centros de formação de condutores (CFCs) e transtornos aos alunos.
Atrasos são os principais contratempos enfrentados por quem deseja tirar ou renovar a CNH em várias cidades, que passaram a integrar a rede informatizada. A maior falha seria no registro da impressão digital do aluno, importante para comprovar sua presença nas aulas práticas e teóricas, além da lentidão do sistema, que pode render até horas de espera.
Quando não é possível fazer o registro digital ou biométrico, filas se formam nas escolas e, não raro, funcionários acabam tendo que ir até as Ciretrans com documentos que comprovem a frequência dos estudantes. “Alunos demoram até um mês para realizar aulas que durariam nove dias. E não adianta trocar de autoescola porque o problema não é da unidade, mas do sistema que serve toda a rede”, comenta um dos funcionários da CFC Alphaville, localizada no Centro Comercial.
Em setembro de 2009, Santana de Parnaíba foi escolhida para receber o projeto piloto da e-CNHsp, e observou problemas nos primeiros 30 dias que se ampliaram para mais 60. Representantes da Auto Escola Alpha, localizada no Centro de Apoio, chegaram a propor um mandado de segurança para garantir o funcionamento normal da unidade, que chegou a ficar dois meses fechada por conta da incapacidade de agendar aulas
Outras autoescolas parnaibanas decidiram não aderir à ação judicial na esperança de ver a rede informatizada ser estabilizada, mas na região do ABCD, onde o e-CNHsp foi adotado em maio deste ano, os mesmos problemas foram constatados. “O sistema fica mais tempo fora do ar do que 'on-line'. Ficamos quase três meses pagando aluguel, carro e professores e sem poder dar aulas diante das panes da rede”, destacou Kátia Lahoz, da Auto Escola Apoio Ville, de Barueri.

Bom, mas ruim
Curiosamente, o sistema é até defendido pela capacidade de coibir fraudes. A crítica está apenas na sua incapacidade operacional. “A impressão que tenho é que estão tentando montar um avião no ar. Não sou contra o sistema, mas acredito que ele não está suportando a carga de acessos”, declarou recentemente o presidente do Sindicato das Auto Moto Escolas e Centro de Formação de Condutores no Estado de São Paulo, José Guedes Pereira.
O receio é que a adesão de localidades de grande porte sobrecarregue ainda mais a rede e promova o caos ao ser adotado principalmente pela capital. Todo o sistema é mantido pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp).
Em documento, integrantes das autoescolas de Parnaíba ressaltam estar equipados com recursos de informática compatíveis com os exigidos pelo projeto piloto, mas que continuam observando problemas pontuais.

Prodesp garante que sistema está estável

Em resposta à Folha de Alphaville, a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) destacou que a implantação de uma nova versão de coleta biométrica no dia 9 de junho passou a garantir a estabilidade do sistema, apesar de ainda indicar a existência de problemas pontuais, analisados caso a caso.
O órgão reconheceu que o e-CNHsp apresentou intermitência na coleta de informações digitais e instabilidade do sistema, mas vê os problemas observados desde a implantação do projeto piloto em Santana de Parnaíba  como “oportunidade de melhorias”.
O novo sistema, segundo o Prodesp, já está em funcionamento em todas as cidades da Grande São Paulo e, mesmo com as instabilidades, em nenhum momento ficou inoperante, apesar das críticas de autoescolas de diferentes regiões indicarem o contrário.


Comentários

Natalia Rosa Pellicciari escreveu:
Eu acabei de fazer 18 anos e fui direto tentar tirar a carta de motorista, e o que posso dizer é que nunca achei que o processo fosse tão exaustante. Nove dias de aula, é esse o tempo necessário para a realização do exame teórico, no entanto, são poucos os que conseguem concluir o curso em nove dias. Não podemos nem dizer ‘’concluir o curso’’, pois teoricamente o curso foi concluído, já que as aulas foram dadas e devidamente assistidas, mas sim, são poucos os que conseguem confirmar as aulas pelo site do Detran. A cena chega a ser patética: vinte cinco pessoas em volta de apenas um único computador, cruzando os dedos para que o sistema funcione. Nessa hora vale tudo: fazer carinho no computador, entrar e sair da sala para ver quem está dando azar, fazer o telefone tocar e outras tantas superstições. O tempo passa, e nada adiantou, a digital não passou. E agora? Agora? Agora é hora de se conformar que terá que se esperar mais um dia, que a sua carta de motorista vai demorar mais um dia para chegar. Que o seu compromisso do dia seguinte terá que ser desmarcado, pois você terá um compromisso com alguém maior: o sistema, que pode ser que esteja lá pronto para te atender no horário que você marcou, ou não. E lá estará você na mesma cena patética por mais uns dias, esperando o sistema aparecer. Tanta espera me fez entender o que estava fazendo tirar uma carta de motorista ser tão complicado. Antigamente, quem fazia a coleta das digitais dos alunos e mandava para o DETRAN eram empresas privadas, contratadas pelos cfcs e auto- escolas. No entanto, em 2008, foram identificados muitos motoristas com habilitação D (hábeis para direção de veículos de alta carga) analfabetos, indicando uma fraude na concessão de CNHs, uma vez que a alfabetização é condição necessária para a habilitação do motorista. Dessa forma, em 29 de agosto de 2008, o CONTRAN (conselho nacional de transito), determinou que as coletas de digitais fossem responsabilidade exclusiva dos estados e do DF. Assim, o DETRAN juntamente com a PRODESP(Companhia de processamento de dados do estado de SP) passaram a ser os responsáveis pelo novo sistema de operação. Agora, pensemos. A maior diferença entre o sistema atual e o sistema antigo é a troca das empresas. Antigamente, era uma empresa privada, hoje, é a PRODESP. E porque essa troca diminuiria a fraude? Desculpa, mas o fato do controle agora estar sendo administrado por um órgão do governo não nos trás a mínima segurança, já que a fraude se quiser ser feita, existirá da mesma maneira. Seria hipocrisia, nós que já deparamos com tantos roubos de políticos em nosso país, falarmos que todas as pessoas que trabalham para o governo são honestas. Além disso, está claro pelo menos para todos os usuários desse novo sistema, que ele é ineficiente e despreparado para tanta demanda, confirmando a impressão do presidente do sindicato da auto moto escolas e centro de formação dos condutores do estado de são Paulo, de que estavam ‘’construindo um avião no ar.’’ Então, paremos, paremos de fingir que o sistema indicará melhorias, pois até agora, depois de quase um ano que foi implantado em Santana de Parnaíba, não há nenhuma faísca delas.
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