Atualizado: 22/07/2010 21:15
De 2003 para 2009, fatia da economia subterrânea caiu de 21% para 18,4%. Somente em 2009, movimentou R$ 578 bi
Simone Trino
A economia informal brasileira movimentou R$ 578 bilhões em 2009. É como se o país produzisse informalmente tudo que a Argentina produz formalmente. Os números são resultados de um estudo inédito elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), a pedido do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco).
A economia subterrânea - bens e serviços não reportados ao governo - representou 18,4% do PIB brasileiro do ano passado, ante 21% do PIB em 2003. Segundo o responsável pelo estudo, professor Fernando Holanda Barbosa Filho, o que fez a participação da economia informal cair foi o crescimento do PIB, que elevou o número de pessoas formalizadas no mercado de trabalho e expandiu a concessão de crédito aos trabalhadores.
"O crescimento do PIB é um santo remédio", comentou o diretor do Ibre, Luiz Schymura. Segundo ele, a expansão do nível de atividade permite melhorias institucionais no país, como a busca de maior eficiência produtiva e o próprio aumento da formalização no mercado de trabalho.
Na avaliação de Barbosa Filho, se o Brasil crescer ao redor de 7% neste ano, como indicam as previsões do presidente Lula, é "factível" que o índice de economia subterrânea chegue à marca de 18% do PIB ao fim de 2010. "A expectativa é que, com a continuidade da expansão do país, a economia subterrânea continue em queda, embora não seja possível afirmar agora qual seria o nível exato de redução", disse.
Na avaliação de André Franco Montoro Filho, diretor-executivo do Etco, a economia subterrânea reduz os investimentos das empresas, pois uma parte delas não encontra incentivos para ampliar suas atividades se os concorrentes não pagam tributos.
Além disso, se a economia possui muitas atividades que não são formalizadas, as companhias registram dificuldades para encontrar sócios investidores no país e no exterior, dada a precariedade nas relações contratuais entre empresas e fornecedores.
Sonegação
Montoro Filho estima que, levando em consideração a atual carga tributária, a economia subterrânea gera uma sonegação de aproximadamente R$ 200 bilhões por ano no Brasil. “Imagine quantos investimentos poderiam ser feitos com esse montante, inclusive em estradas. Somente os investimentos realizados pelo governo federal no ano somaram R$ 30 bilhões”, afirmou. Segundo ele, a redução da economia subterrânea é fundamental para ampliar a Formação Bruta de Capital Fixo no país, gerar empregos formais e melhorar a renda da população.