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Picape média com tecnologia

Atualizado: 18/02/2010 23:29

No Brasil, estreia está prevista para fim de abril

Diogo de Oliveira/Carsale

A Volkswagen levou cinco anos para desenvolver sua primeira picape média a ser comercializada no mundo inteiro. Foi o prazo que a marca alemã precisou para ‘detectar’ e valorizar os fundamentos básicos que um modelo do segmento deveria ter para se destacar nas vendas. E a Amarok parece estar pronta para o desafio que se aproxima. As vendas na Argentina, onde o veículo é fabricado, começam no fim de março, com estreia no Brasil prevista para o fim de abril.

Para conceber o utilitário dentro das ‘exigências’ do nicho, a VW fez a ‘lição de casa’ direitinho. De acordo com a montadora, cerca de 70% das picapes médias vendidas por aqui são equipadas com motores a diesel, 85% das unidades têm cabine dupla e 62% desses utilitários possuem sistemas de tração 4X4. A partir dessas premissas, a versão que será vendida no mercado brasileiro ganhou corpo. De início, apenas a configuração ‘topo de linha’, a Highline, será oferecida.

O modelo de cabine dupla é equipado com o motor 2.0 TDI biturbo e dotado do sistema de tração integral não permanente 4Motion.

Esse é o conjunto feito para competir em igualdade com os três principais rivais do segmento: Toyota Hilux, Mitsubishi L200 Triton e Nissan Frontier. Só que a Volkswagen quer ‘abocanhar’ uma polpuda fatia do mercado. Por isso, além das características tidas como básicas, a Amarok virá preparada para oferecer um desempenho fora-de-estrada de primeira classe. A versão Highline terá quase uma dezena de recursos eletrônicos instalados especificamente para o uso off-road. O sistema de freios com ABS, por exemplo, tem função com configuração específica para a lama.

Contudo, mais do que dar à picape uma desenvoltura aventureira robusta, a Volkswagen também se preocupou em fazer um interior confortável, que transmitisse refino e o aconchego dos carros de passeio e utilitários esportivos.

Nesta versão, os bancos são revestidos de couro, há detalhes de alumínio acetinado no painel e nas portas e os plásticos rígidos têm texturas agradáveis.

Os encaixes são precisos, como manda o padrão germânico. O habitáculo disponibiliza ainda uma série de porta-objetos.

Para o conforto dos passageiros, a Amarok disponibiliza ainda ar-condicionado de duas zonas, direção hidráulica, trio elétrico, computador de bordo e sistema de som  com rádio/CD, MP3, disqueteira para seis CDs, Bluetooth e uma tela de cristal líquido sensível ao toque. Entre os itens de segurança, duplo airbag frontal e freios com ABS com dois modos, distribuidor eletrônico de frenagem EBD e assistente de frenagem BAS.

Segurança e rodas

Durante o teste-drive realizado na Argentina foi possível avaliar o aparato tecnológico instalado na Amarok. A picape enfrentou obstáculos de grande dificuldade, atravessou riachos e mostrou estar 100% apta a aventuras selvagens.

O grande ‘truque’ para tais façanhas pode ser atribuído ao sistema de tração 4Motion. Além da tração traseira, indicada para rodar em cidades e rodovias e que oferece menor consumo de combustível, o sistema possui os modos 4x4 integral e 4x4 com reduzida – este específico para situações de off-road severas, quando o veículo necessita de todo o torque do motor.

Só que o sistema de tração é vinculado a uma série de dispositivos. São eles os controles eletrônicos de estabilidade e de tração e os assistentes para aclives (HSA) e declives (HSD), que mantém os freios acionados em ladeiras por cerca de dois segundos, para que o veículo fique parado enquanto o motorista tira o pé do freio para pressionar o pedal do acelerador. E estes recursos serão opcionais, com o conjunto de rodas de liga leve de 19 polegadas, que podem substituir as de aro 18 oferecidas de fábrica. A Volkswagen só vai divulgar os preços perto do início das vendas.

Impressões ao dirigir

Quem busca conforto e tecnologia, sem dúvida não está atrás de uma picape média. Por mais que esses modelos sejam robustos para passeios na lama, a serenidade a bordo não é uma característica comum. Mas a Amarok, neste primeiro contato, mostrou ser possível reunir em uma caminhonete média os atributos dos utilitários esportivos e dos carros de passeio. Além do interior espaçoso e bem acabado, há itens interessantes de conforto, parafernália eletrônica de impressionar e mecânica moderna.

O motor 2.0 de quatro cilindros em linha e 16 válvulas parece compacto para um veículo de dimensões avantajadas. Mas os dois turbocompressores que sobrealimentam o bloco fazem os números de potência e torque renderem o suficiente para não faltar força à picape. O propulsor diesel produz 163 cv aos 4.000 rpm e um torque de 40,8 kgfm, disponível por inteiro dos 1.500 giros aos 2.000 rpm.

Como o motor trabalha a maior parte do tempo em regime baixo de giros, quase não se ouve seus roncos. No painel de controle, o visor do computador de bordo indica o momento correto de trocar de marcha. Com essa tática do downsizing, a Volkswagen diz que seu utilitário é capaz de rodar até 13,3 km com um litro de combustível. Mas o que mais chama a atenção é o funcionamento do câmbio, que oferece engates macios e precisos, algo raro em picapes. Também impressiona o curso curto da alavanca, que reforça o ar de carro de passeio presente no modelo.

Dinamicamente, a picape se mostrou bem acertada. Como todo veículo de altura elevada, a Amarok não faz curvas aceleradas sem torcer a carroceria. Porém, com os recursos eletrônicos, que serão instalados em 70% das unidades produzidas, o utilitário se mantém firme no chão e transmite segurança, sobretudo em situações de off-road. Nos obstáculos construídos dentro do parque nacional Nahuel Huapí, em Bariloche, o veículo mostrou robustez, fazendo parecer fácil subir e descer rampas íngremes ou transpor depressões opostas. O sistema de tração 4Motion tem acionamento simples, por meio de teclas ao lado da alavanca do câmbio.

Mas a história da Amarok, que significa ‘lobo’ na língua dos inuit, povo que vive na Groelândia e no norte do Canadá, está apenas começando. A picape média ainda terá versões com câmbio automático, motorização flex, um bloco 2.0 TDI menos potente e cabine simples. Ainda assim, o que deve influenciar nas vendas será o preço. Os rivais atingem os quase R$ 120 mil. A Volks deve posicionar seu modelo por ali. Ao mesmo tempo, a marca não tem a tradição no segmento, apesar de suas sofisticações. A disputa promete. (Diogo de Oliveira)


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