Atualizado: 06/11/2009 00:44
Cresce a representação de marcas antes revendidas independentemente
Carsale
Há bem pouco tempo, o brasileiro que quisesse comprar uma Lamborghini, uma Ferrari ou um Smart Fortwo tinha uma opção: as importadoras independentes. Elas eram as únicas a oferecer esses e outros modelos importados. Agora, a história é outra. Com o crescimento das vendas de veículos estrangeiros nos últimos dois anos, é cada vez maior as representações oficiais. Só do início do ano para cá, várias marcas se instalaram por meio das montadoras ou de grupos concessionários.
Primeiro foi a britânica Mini, que pertence ao grupo BMW. A fabricante alemã passou a vender oficialmente o hatch compacto Cooper One em março. O leque de versões foi ampliado em seguida, com a oferta do esportivo Cooper S, o conversível Cabrio e a configuração perua Clubman. Um mês depois, em abril, foi a vez de a Mercedes-Benz, também otimista com o bom momento da economia brasileira, lançar o Smart Fortwo nas versões Coupé e Cabrio.
Com duas lojas em São Paulo, o subcompacto, equipado com motor 1.0 turbo de três cilindros e 84 cv, surpreendeu. Em seis me- ses, o Fortwo somou mais de 700 emplacamentos – a média mensal foi superior a 100 unidades. Os preços são de R$ 57.900 para a versão Coupé e de R$ 64.900 na carroceria conversível Cabrio.
Mesmo a Fiat, acostumada a trabalhar com compactos nacionais populares, se animou. Em setembro, a montadora lançou no país o subcompacto 500, importado da Polônia e chamado pelos europeus de Cinquecento. Com quatro lugares e o bloco 1,4 litro 16V a gasolina de 100 cv, o carrinho retrô é também um dos importados atuais com preço mais acessível: parte de R$ 62.870 e chega a R$ 68.970 na versão topo Lounge equipada com o câmbio automatizado Dualogic.
"O Cinquecento é um ícone da Fiat, um carro de nicho. Por essa razão, decidimos trazer algumas unidades para os consumidores brasileiros que querem um carro diferenciado. O câmbio hoje nos ajuda a fazer isso. E como não é um carro de volume, as duzentas unidades mensais previstas são suficientes", pontua Lélio Ramos, diretor Comercial da Fiat do Brasil. "Grande parte desses modelos importados é de nicho. Não se justifica uma produção local. E o volume deixa de ser uma consideração. Muitas vezes, é a imagem da marca que está em jogo. O importador pode ser uma empresa de grande porte, que produz veículos no país e decide trazer uma de suas marcas ou modelos estrangeiros como ícone, para marcar presença", diz o consultor Arnaldo Pellizzaro, da ABIConsult.
Alto luxo
É no topo da pirâmide, porém, que a 'briga' está mais acalorada. Há poucos dias, a Via Itália, representante de Ferrari e Maserati, inaugurou a primeira revenda da Lamborghini no Brasil. A loja exibe na vitrine o superesportivo de luxo Gallardo LP 560-4 nas carrocerias cupê e conversível Spyder. O modelo tem tração integral e sob o capô há um motor 5,2 litros V8 aspirado de 560 cv de potência. O cupê custa R$ 1,5 milhão e o cabriolet, R$ 1,7 milhão.
Para os endinheirados que buscam exclusividade, a loja oferece a edição especial LP 550-2 Valentino Balboni, feita em homenagem ao famoso piloto de testes da montadora. O exemplar tem tração traseira, 10 cv a menos que o Gallardo 'normal', é 30 quilos mais leve (1.380 kg) e arranca de zero a 100 em 3,9 segundos. A máxima é de 320 km/h.
"Nosso mercado sofreu uma evolução. Além de haver um crescimento das vendas de carros em geral, no segmento de alto luxo há uma tendência de crescimento somada à situação mundial. Muitos países que antes eram bons clientes deixaram de ser, porque suas economias estão estagnadas. E a Lamborghini percebeu esse bom momento para se instalar no Brasil", resume Jaroslav Sussland, diretor de relações internacionais da Lamborghini São Paulo.
A Platinuss, que representa a italiana Pagani e negocia a representação oficial da britânica Lotus, anunciou outra novidade que mistura pimenta e luxo. O grupo Bertin apresentou dois modelos da holandesa Spyker: o cupê C8 Laviolette e o conversível C8 Spyder. O primeiro, com o teto rígido e repleto de itens opcionais, é oferecido por R$ 1,24 milhão. Já o cabriolet custa R$ 1,15 milhão, preço que pode subir para R$ 1,3 milhão com opcionais. Os dois usam o mesmo propulsor, um 4,2 litros V8 de 405 cv. "O plano agora é consolidar a Spyker", completa Hideki Oshiro, da Platinuss.
Mais lançamentos
No primeiro trimestre de 2010, a Platinuss vai trazer modelos da Caterham, construtora inglesa de roadsters clássicos, com dois lugares, capô longo e sem portas e teto. Cinco versões do carrinho que parece um kart serão oferecidas em São Paulo. Uma delas provavelmente será a Superlight R300, equipada com um propulsor 2.0 de 177 cv e vendida no Reino Unido por £ 24.995 (R$ 72 mil).
Ainda este ano, a britânica Bentley vai abrir sua primeira revenda oficial aqui. Enquanto isso não acontece, a Sky Motors, importadora independente no Rio de Janeiro, oferece o sedã superesportivo Continental Flying Spur Speed que custa R$ 1,78 milhão.